Localizada a cerca de 15 minutos do município de Pacajus (CE), o Quilombo Base é um exemplo de ancestralidade, valorização da cultura e de luta por direitos. A comunidade, reconhecida como remanescente de quilombolas pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e certificada como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares, tem em torno de 170 moradores que fortalecem a memória e tradição popular ancestral.
O Quilombo no ano 2023 celebra a conquista do acesso à água de qualidade, onde foram beneficiados com cisternas de 16 mil litros para captação de água para consumo humano. No município, foram construídas 100 cisternas, beneficiando 100 famílias de 8 comunidades. A chegada da cisterna também é sinônimo de mobilização social, as famílias participam de cursos de Gerenciamento de Recursos Hídricos, que além de fortalecer a troca de conhecimento entre equipe técnica e comunidade, estimulam as famílias a se engajarem em todas as etapas do projeto.
De acordo com Sebastião Francisco da Silva, presidente da Associação Remanescente de Moradores do Quilombo Base, a importância da cisterna para o Quilombo impacta diretamente na saúde e na qualidade de vida das famílias, principalmente das famílias recém formadas. “As cisternas trouxeram boas mudanças para minha família e para todo o Quilombo. Algumas pessoas chegavam a comprar água em carro pipa e hoje temos a garantia de água de qualidade para todos, principalmente para os casais mais novos, é a certeza de ter onde guardar esse bem tão precioso” destaca Sebastião.
Água é um direito e necessita ser amplamente garantido. As comunidades tradicionais historicamente, lutam pelo reconhecimento de seus direitos e pela defesa de seus territórios e ao mesmo tempo reinventam o jeito de conviver com o Semiárido. A cisterna é uma conquista para as famílias, com manejo adequado e práticas de cuidado e preservação da tecnologia, elas conseguem armazenar água, sem realizar degradação da natureza que, caso contrário de ação dos grandes empreendimentos econômicos, geraria esgotamento.
A falta de água para consumo humano é a principal causa da baixa qualidade de vida no meio rural, principalmente nas zonas áridas e semiáridas, que correspondem a 55% das terras em todo mundo e a 13% do território brasileiro (SILVA et al., 1993).
A Secretaria do Desenvolvimento Agrário do Estado do Ceará (SDA), em parceria com o Instituto Antônio Conselheiro (IAC), está realizando desde 2022 a implementação de 617 cisternas de 16 mil litros para 617 famílias de comunidades rurais dos municípios de Quixeramobim, Quixadá, Choró, Madalena, Mombaça, Pacajus, Banabuiú e Morada Nova no Ceará.
O acesso à água de qualidade e à vida digna no campo, andam de mãos dadas. Para o coordenador geral do IAC, Flávio Henrique Gonçalves, ampliar o acesso à água para os povos do campo, principalmente para as famílias de comunidade tradicionais geram impactos positivos nas vidas das famílias, com ênfase especial às mulheres, principais afetadas pela falta de acesso à água. “Fortalecer este trabalho é uma ação de justiça social e ambiental na busca de um mundo onde as mulheres e suas famílias possam desfrutar e exercer o seu direito à água, à comida e um ambiente limpo, saudável e seguro”, destaca.
Fotos e Texto: João Marcos Nunes | Instituto Antônio Conselheiro